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Archive for junho \14\UTC 2011

O paradoxo da inovação

Fato 1:  Odeio preencher formulários a mão! Aqueles de recepção de hotel então nem se fala.

Fato 2: Acho que estou desaprendendo a escrever por causa do computador. Fico pensando se nesse mundo cada vez mais touch perderei também minha pequena habilidade de digitação, algo que aprendi nos velhos tempos da máquina de datilografia e que venho cultivando com o teclado do computador. Para quem não sabe, muitos concursos públicos tinham prova de datilografia. Que horror!

Fato 3: Será que meus filhos ainda usarão computador? Eles adoram brincar com os meus gadgets, principalmente os touch screen.

Fato 4: Preciso comprar um tablet!!!!!!!!
                                        Fonte: Isto é Dinheiro

Não me pergunte se é modismo, consumismo ou praticidade. Talvez um pouco de cada? NÃO RESPONDO !!!!!

E já resolvi: será um iPad 2 que, por sinal, começou a ser vendido no Brasil no final de maio (e, pra variar, acabou instantaneamente). É que preciso completar (não sei quando) o meu kit geek (iPod, iPhone, iPad). Hehehe! Falando assim parece fácil, mas não foi tão “simples assim”.

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Escolher um tablet está sendo uma decisão cada vez mais difícil. A minha foi pela comodidade (a idade vai chegando e lidar com vários sistemas, menus e botões vai ficando complicado). Não me lembro de ter visto um produto ser lançado por tantas marcas em tão pouco tempo. No início cheguei a ficar em dúvida entre o iPad 2 (Apple) e o Galaxy Tab (Samsung). Hoje já tem, ou já foi anunciado, o Streak (Dell), G-slate e Optimus Tab (LG), Eee Pad MeMO (Asus), Le Pad (Lenovo), Xoom (Motorola), Flyer (HTC), Playbook (RIM), Touchpad (HP), S1 e S2 (Sony) e Iconia Tab A500 (Acer).

Tem ainda marcas menos conhecidas como o Galapagos (Sharp), ZTE V9 (ZTE), STI Mypad MP 1003G (Toshiba) e Life (Multilaser). Até a famosa marca de máquinas de datilografia (Olivetti, aquela dos concursos de datilografia, lembra?) apresentou o seu OliPad. Ainda tem a Positivo (nacional) anunciando o seu produto. Você contou? Vou te ajudar: 20. Na Consumer Electronics Show – CES 2011, uma das maiores feiras profissionais de eletrônicos do mundo, a expectativa era de que fossem mostrados mais de 80 modelos.

Se havia dúvida entre sistema operacional aberto (Android) ou fechado (iOS-Apple), a coisa ficou ainda mais complicada. Tem ainda o Windows 7, o webOS e o sistema da RIM (Blackberry). Complicado? Eu também acho.

Principalmente se pensarmos que, apesar de terem surgido na década de 80, os tablets (gadgets considerados atualmente como híbridos de netbooks e smartphones) voltaram a ganhar notoriedade somente em abril de 2010, com o lançamento do iPad. De lá para cá, esses dispositivos receberam maior atenção das fabricantes. A preocupação é tanta que o Governo incluiu a fabricação de tablets na Lei do Bem (lei que concede incentivos fiscais).

Diante de tantos modelos, obviamente a competição se acirra. Alguns especialistas dizem que o Android será o “vencedor”. Eu prefiro que ninguém ganhe e que se mantenha a concorrência, porque isso é sinal de mais inovações e melhorias para o consumidor. Steve Jobs reapareceu na semana passada para falar de novidades no mundo Apple. Nada muito inovador: coisas já existentes por aí que passam a ser integradas aos sistemas da Maçã.

A pergunta que automaticamente surge é: como se diferenciar? Será que o mundo dos tablets será igual ao dos computadores? Estaremos diante de mais uma commodity? Quantas marcas conseguirão permanecer no mercado?


Avaya e Cisco resolveram apostar em um novo caminho: os tablets corporativos. Eles não são voltados ao consumidor, mas atendem a necessidades corporativas, unificando várias formas de comunicação, como e-mail, telefone, videoconferência, em um único aparelho.

O que difere os tablets desenvolvidos para o consumidor daqueles feitos para as empresas? Os primeiros permitem uma experiência de entretenimento. Os outros contam com recursos para o ambiente de trabalho.

É o que se propõe o Flare, tablet da Avaya que está em fase de homologação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e em teste em um banco brasileiro. Ele permite videoconferências com até 20 pessoas, compartilha apresentações em PowerPoint e unifica todos os tipos de comunicação.
                                                        Fonte: Isto é Dinheiro

E onde vamos parar? A HSM, em seu especial Inovação (http://www.hsm.com.br/inovacao), nos apresenta um texto chamado “O paradoxo da inovação”, que é muito aderente a esta discussão.

Segundo o autor, o paradoxo é que “quanto mais inovamos mais difícil se tornam as próximas inovações e a manutenção de uma estratégia competitiva baseada na inovação”. E continua: “a implantação de cada inovação tende a custar mais que a anterior porque para inovar são necessários novos aportes financeiros para pesquisa, desenvolvimento, planejamento, produção, marketing e comercialização”.

Quando um produto vira commodity, podemos encontrar no mercado infinitas variações para um mesmo produto. Diante de, por exemplo, dezenas de opções de extrato de tomate (a maioria com embalagem vermelha), um consumidor sente uma ansiedade de decisão (decidir custa tempo) e, por mais que goste de experimentar, ele tende a buscar diminuir o estresse elegendo uma marca e, uma vez obtendo satisfação, acaba fidelizando sua escolha. No caso de produtos mais caros, como os tablets, a experimentação em escala se torna um pouco inviável, ficando a busca por informação ou ter uma pequena experiência atributos mais decisivos na escolha. O que não elimina o stress, muito pelo contrário.

”Assim, quanto maior o volume de inovações em um curto espaço de tempo, mais difícil ficará a partir de um determinado momento que os consumidores queiram tão intensamente o novo em função do estresse de decisão de compra e de uma racionalidade de compra crescente. Cada inovação a partir daí tem que ser muito significativa e para conseguir-las teremos que investir corretamente em P&D”.

Penso que o setor financeiro ainda esteja longe do paradoxo da inovação, propriamente dito. Mas temos um exemplo próximo com os fundos de investimento. Ou será que alguém consegue dizer qual fundo e de qual banco é melhor investir seu dinheiro? Se sobrar é claro.

Até a próxima.

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