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J2BD

Acho que este será o último post de 2011. Quer falar então sobre um tema que venho ouvindo com certa freqüência nos benchmarkings que estou fazendo. Se você desistir de ler até o final, já quero deixar meus votos de um grande 2012 para cada um, cheio de inovação no trabalho e na vida pessoal, onde o resultado principal seja a felicidade. Vamos lá!!!!!

As coisas ligadas à inovação são curiosas. Demora muuuuuuuuiiiiiiiiito tempo até que “caia a ficha” para que alguma nova teoria ou conceito comece a ser utilizado.

Parêntesis saudosista (ou retrô — ou seria vintage?): Cair a ficha = expressão que em breve ninguém saberá o que significa, porque é uma expressão do século passado, usada para dizer que se demorava para entender o que estava acontecendo. Uma alusão aos orelhões (aquelas “coisas” com um telefone dentro), que à época precisávamos colocar uma ficha para fazer ligações e somente quando completava a ligação a ficha caía no coletor de aparelho, o que, muitas vezes, demorava muito. Fecha parêntesis.

Sou um fã do Clayton Christensen. Já devo ter falado dele em algum post. Aliás é difícil falar sobre inovação sem citar alguns de seus ensinamentos. Quando se fala em inovação disruptiva, inovação sustentável, resultado econômico para inovação, seu nome é facilmente associável.

Além dos acima citados, tem um outro usado por ele desde 2003, que vem ganhando corpo. Não sei se foi ele quem falou disso primeiro, nem se a primeira vez foi realmente em 2003. Mas, como não pretendo fazer revisão bibliográfica, vou me arriscar a cometer esse erro (se alguém tiver essa informação, ilumine-nos).

O conceito é o “Job to be done” (que chamaremos de J2BD para facilitar), ou seja, a tarefa a ser realizada. Para entender o que é isso, precisamos nos perguntar por que as pessoas compram? Segundo o artigo Finding the right job for your product, escrito por Clayton Christensen, Scott Anthony, Gerald Berstell e Denise Nitterhouse, as pessoas compram para realizar tarefas (jobs). Eles defendem que o job deve ser a unidade central de análise de oportunidades de inovação, ao contrário dos diversos tipos de segmentação que costumamos realizar (de fato, as abordagens podem ser complementares, mas não vamos entrar neste mérito hoje).

Uma das vantagens dessa abordagem é que a tarefa muda muito pouco ao longo dos anos. Exemplos clássicos: eu não preciso necessariamente de um chinelo, um sapato ou um tênis, mas sim proteger meus pés enquanto caminho. E há quanto tempo é assim?

Homens precisam tirar os pelos do rosto (o que aliás é muito chato; gasta-se tempo e dinheiro com giletes, barbeadores e barbeiros). Essa é um pouco mais recente que a anterior, mas continua sendo uma tarefa cotidiana.

Outro exemplo comum é o da furadeira. Quem disse que queremos ou precisamos ter uma. O que precisamos é do furo (já falei disso no post sobre compras coletivas).

A Brastemp enxergou isso. Nós não precisamos de filtros ou galões de água em casa. Precisamos é de água. Nossa tarefa é buscar água limpa para beber, cozinhar, etc (igual era há milhares de anos). Não precisamos de purificador de água grande ou pequeno, cinza ou branco para combinar com a cozinha, de torneira ou de botão, com uma, duas ou três filtragens, etc. O que fez a Brastemp? E lançou um serviço de assinatura de água. (http://www.brastemp.com.br/PurificadoresdeAgua). E tem mais, você não precisa de se preocupar com a manutenção. Eles cuidam da troca de filtros.

Steve Jobs parece ter sido um “predestinado”. Seus produtos foram muito focados na tarefa a ser realizada. Mas esse será assunto do meu próximo post, no ano que vem, quando falarei sobre os “não” da inovação (olha o teaser!!!. Kkkkkk).

Haveria muitos outros exemplos, mas posts muito longos não são o meu forte. Então vamos tratando de encerra-lo.

O setor financeiro precisa estar atento a isso. Ninguém acorda com vontade de ir correndo a um banco fazer um CDC ou um cheque especial ou aplicar em um fundo. Cada cliente tem uma tarefa a ser realizada. Quem conseguir trabalhar isso pode “descomoditizar” os produtos e serviços financeiros.

Feliz 2012!!!!!!!!!

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  1. DaisyGrisolia
    21/12/2011 às 7:40 | #1

    Adorei a história sobre as origens da expressão “cair a ficha”. Sim, estamos ficando históricos!!! Adorei (número 2) a abordagem histórica de todas as demandas e como elas são resolvidas ou pelo menos equacionadas através do tempo. Serviços bancários….hummmm vou adorar conversar sobre isso, mas este é tema para Ano Novo, agora, neste período pré-festas, melhor deixar o assunto bancos e pagamentos e taxas e impostos e investimentos para 2012!
    Então meu amigo, se 2012 for o último da história da humanidade (como dizem que os maias dizem) que seja o melhor de todos. Se tudo foi um engano dos maias e um exagero da midia então, que 2012, seja o primeiro de uma série de anos felizes, criativos, conectados e inovadores!
    Grande abraço e até lá!

    • 21/12/2011 às 15:30 | #2

      Oi Daisy, já me desliguei dessa estória de fim do mundo. Estou me preparando para viver e trabalhar mais uns bocados de anos. E, como voce diz, que sejam felizes, criativos, conectados e inovadores. Grande beijo.

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