When ideas have sex

Alguns dos posts que coloco aqui são fruto da necessidade que tenho de alimentar um blog corporativo quando o tema é inovação. A ideia deste post começou numa sexta-feira…

Acabei de voltar do almoço. E a semana insiste em não acabar. Reuniões para todo o lado. Tendências, redes sociais, ferramentas tecnológicas, socialminer, posicionamento mercadológico, inovação, agência conceito, cenários prospectivos. Cada reunião que participo gera novas reuniões. Parece coelho. Este mês ainda tem viagem a serviço. Como fica a logística da escola das crianças? Meus emails estão acumulando. Não consigo acompanhar o twitter #inovação. E na semana que vem ainda tem blog corporativo.

Uma vozinha fica martelando na minha cabeça: não vai começar a escrever o post de inovação da terça-feira? Mas como vou começar? Meu lado esquerdo do cérebro está a todo vapor. Será o o lado direito tá vivo?

Preciso escrever algo diferente. Mas o quê? Inovação está diretamente ligada à criatividade, mas no fundo tudo vira processo e o discurso se repete: é preciso inovar para se diferenciar e se manter competitivo no mercado.

E outra voz martela meus pensamentos: “Olha pra sua agenda; tá cheia de entregas previstas; cadê? Esqueceu das suas tarefas diárias? E essa sexta não acaba nunca…

Chega! Preciso tomar um café, conversar um pouco, trocar umas ideias. É isso!!!!!!! “Senta de novo, vamos lá!”

Lembrei de um vídeo que vi no TED: When Ideas Have Sex, do Matt Ridley. Numa tradução livre: Quando Ideias Fazem Sexo.

Lembrei ainda do post de uma colega no blog corporativo, sob o tema marketing: “Sexo para dar e vender”, com base na experiência do filme de “Pernas para o Ar”. Falar de sexo em um blog corporativo é certamente algo diferente, que foge à rotina e à tradição de um instituição bicentenária. Será que vale a pena repetir o “tema”? Era a chance de fazer diferente, mesmo sem ser pioneiro.

Machado Acheulian x Mouse

Em sua apresentação Matt parte da comparação de um machado Acheulian (que deve ter sido inventado há meio milhão  de anos) e um mouse (que possivelmente estará obsoleto daqui a cinco anos. A semelhança? Ambos foram feitos para caber na mão. A(s) diferença (s)?

São várias. Enquanto o machado é feito com uma única substância, o mouse é feito por diversas (plástico, silício, laser, etc). Além disso, o machado foi feito por uma única pessoa, enquanto ninguém sabe fazer o mouse. É isso mesmo. As pessoas sabem fazer partes do mouse. Uns sabem extrair petróleo, outros fazer o plástico, outros montar as peças, etc. E isso pode ser explicado por uma teoria econômica eternizada por Davi Ricardo em 1817: a teoria das vantagens comparativas… que trouxe a especialização… que trouxe a combinação … que trouxe a colaboração e o intercâmbio.

E é aqui que a ciência econômica se mistura com as ciências naturais, na teoria da evolução das espécies de Darwin. Como assim? Do ponto de vista biológico, é a fertilização cruzada que possibilita o melhoramento genético das espécies. Já me disseram que eu costumo ir levando o pensamento das pessoas até o assunto que eu quero falar. Então, pronto, chegamos no “quando as ideias fazem sexo”.

Pessoas e organizações que se fecham reduzem sua capacidade de inovar. É preciso cruzar as ideias individuais para melhorá-las. Por isso a diversidade (gênero, idade, cargo, área de conhecimento, etc) é uma das condições requeridas para o sucesso de equipes de inovação.

Na vanguarda desse pensamento de intercâmbio de ideias está o crowdsourcing. De acordo com a wikipédia, é um modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos e voluntários espalhados pela internet para resolver problemas, criar conteúdo e soluções ou desenvolver novas tecnologias”.

Dentro do contexto deste post, o crowdsourcing poderia ser considerado uma “orgia” de ideias, podendo chegar ao ponto, inclusive, de ninguém saber quem foi o autor original da ideia.

Bem, assim como o sexo foi/é um tabu na sociedade, o crowdsourcing também o é para as organizações. Assim como o são as redes sociais. Para não me alongar ainda mais nesta reflexão, quero lembrar, com permissão dos leitores biólogos, um dos ensinamentos de  Darwin, no qual as espécies que sobreviverão serão aquelas que tiverem maior capacidade de adaptação ao meio em que vivem…

Até a próxima!

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A “inovação” como ela é

Este post foi inspirado no lançamento do filme “A Rede Social”, que conta a “história” do Facebook. Claro que não fiz um trabalho de investigação. O que contarei será tão somente o que ouvi da boca de um dos fundadores do YouTube.

O título é uma aproximação da “vida como ela é”, para desmistificar algumas estórias que ouvimos tanto que viram mito (ou seria desmitificar?). O objetivo é só mostrar que inovação se faz também com transpiração.

Antes de continuar, para deixar claro: não quero tirar o mérito de ninguém; mas somente repassar alguns pedaços da história, contada pelo próprio autor, que nem sempre são divulgados.

Sem mais delongas….

No dia 09 de novembro, em São Paulo, participei de um evento com ilustres convidados do Vale do Silício, entre os quais Aber Whitcomb, co-fundador do  MySpace, Ashwin Navin, co-fundador do BitTorrent e Jawed Karim, co-fundador do Youtube. Todos eles, apesar do dinheiro que já tem, pareceram pessoas simples. E não nasceram para ser palestrantes. A história fala por eles mesmos. Mas é legal ver ao vivo pessoas que influenciaram fortemente na forma como nos relacionamos hoje na internet. Mas é somente do último que falo a seguir.

Inicio de 2005, três amigos que trabalhavam na Pay-pal queriam montar uma empresa. No final de 2004 houve o Tsunami. Muitas pessoas filmaram e fotografaram o fato. As fotos eram facilmente vistas em sites como o Flickr, mas, para os vídeos, a dificuldade era maior (problemas de banda, etc).

E inovação começa também a partir de estudos. Além de ver uma oportunidade, os jovens fundadores começaram a observar as tendências da época: as câmeras digitais começavam a ter opção de vídeo, crescia o uso de banda larga nas residências, o Flash permitia ver vídeos em qualquer navegador de internet.

Os amigos discutiram essas tendências e concluíram que vídeos seriam um sucesso. Começaram com a ideia de criar um site de encontros com vídeo (uma evolução dos sites que só disponibilizavam fotos). Isso foi em abril de 2005. “Tudo” que precisavam era conseguir vídeos de mulheres e chegaram a oferecer 10 dolares para as jovens que os disponibilizassem. Não conseguiram nenhum. Enfim, a primeira estratégia foi copiar um site de relacionamento, trocando imagem por vídeos. Não deu certo.

A segunda versão, em junho de 2005, era um Flickr para vídeos. Funcionou melhor porque as pessoas entenderam o que era o site. Descobriram o pote de ouro: as pessoas não conseguiam enviar os vídeos por email, a formatação dos vídeos era diferente, não havia lugar para procurar vídeos na internet. Eles eram a solução.

No inicio, tiveram dificuldade em convencer os investidores, que alegavam que ninguém ia querer ver o vídeo dos outros (tinha/tem coisa mais chata que ver vídeos de formatura dos filhos dos outros? E do casamento? :-D )

Então aconteceu o que parecia ser um balde de água fria. O Google vídeos foi lançado duas semanas antes do lançamento do YouTube. Como fazer para brigar com um concorrente tão poderoso? Por outro lado, esse fato ajudou a dar credibilidade para o “mercado” de vídeos online.

Tecnicamente o YouTube foi evoluindo bastante e soube utilizar também conceitos vencedores de outros sites, como a colocação de tags. O que aumentou muito o acesso foi permitir o acesso ao vídeo a partir de qualquer site, assim como a disponibilização dos vídeos relacionados. Sem falar no algoritimo criado para converter os vídeos em padrões vistos em qualquer navegador.

Chamou-me a atenção mais uma das explicações dada por Karim para o sucesso do seu site em relação ao Google: a despreocupação com a questão da propriedade intelectual dos vídeos: eles não tinham muito a perder.

Bem, diante de tanto sucesso, o Google fez uma oferta irrecusável: 1,6 bilhão de dólares, em outubro de 2006, menos de 2 anos depois do lançamento.

Ouvir o Karim foi muito produtivo para mim. Não quero esticar mais este texto falando de lições aprendidas. Mas não dá para não falar do senso de oportunidade, do olhar para o ambiente externo, da flexibilidade em mudar uma ideia inicial e da coragem por lutar por algo em que se acredita.

E pra você?

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Inovações sustentáveis

Hoje começo lançando um desafio: alguém pode me dizer se existem dois temas mais comentados para as empresas do que inovação e sustentabilidade?

E por quê se fala muito disso? Arrisco-me a dizer um motivo: porque o discurso e a prática são coisas distantes. Posso mais um? Porque ambos remetem a resultado de longo prazo, enquanto as empresas são cobradas pelo resultado de curto prazo; a famosa cobrança pelo resultado do trimestre. Esse segundo explica em parte o primeiro, mas talvez as maiores causas sejam de ordem cultural.

Estudo organizado pela DOM Strategy Partners mostra que a maior parte das empresas adota o foco na sustentabilidade em função das pressões externas e para sobrevivência, não por convicção. Para a inovação não seria razoável aceitar também essas justificativas?

Falar sobre isso me ocorreu pelo que vivi na semana passada (dois eventos onde a sustentabilidade estava em foco. Foi quando tomei conhecimento da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS) e por um arquivo que recebi por email (é isso mesmo, ainda se envia arquivos por email, seja pela resistência pessoal às redes sociais e ou pela resistência organizacional às redes sociais), que você pode ver aqui ( thelatesttechnology ). Se você não quiser/conseguir acessá-lo, ele traz diversas inovações tecnológicas (algumas talvez a gente nem venha a ter acesso, seja pelo preço ou porque serão substituídas por outra.

Algumas dessas inovações contribuem para a sustentabilidade. Outras, no entanto, vão em sentido contrário, porque ajudam a aumentar o lixo tecnológico, porque a parcela da humanidade que tem renda não resiste aos apelos das novas tecnologias.

Outro dia ouvi um diálogo interessante:
- Comprei um AiPhone por um preço ótimo. Ainda dá pra colocar dois chips.
- Eu não tenho coragem de comprar isso. Dizem que não dura 6 meses.
- Melhor! O iPhone lança uma versão nova a cada 6 meses. Aí eu não fico com o problema de “ter”  que comprar um novo e não saber o que fazer com o antigo.

Em agosto foi sancionada a lei que cria a PNRS (ainda falta a regulamentação, prevista ainda para este ano). Muitas pessoas/empresas passam desapercebidas pela lei, achando que se refere apenas à destinação do lixo, responsabilidade atribuída a entes públicos. Isso  já é um enooooooorme avanço para a sociedade. Talvez não tenhamos que passar por soluções como no Egito (veja o link com a matéria da Revista Superinteressante).

Catadores de lixo do Cairo

Catadores de lixo no Cairo constroem aquecedores solares com material reciclado

A Globo News apresentou, em seu programa Cidades e Soluções, uma interessante reportagem sobre os impactos da nova legislação, com foco para a destinação do lixo  (Cidades e Soluções – O que muda com a nova lei do lixo), envolvendo principalmente agentes públicos, mas abordando também o papel das empresas.

Mas não é dessa parte da lei que quero falar, é das inovações que ela introduziu na Lei de Crimes Ambientais, que exigirão alterações operacionais e na conduta empresarial. Uma das inovações é o compartilhamento de responsabilidades pelo ciclo de vida dos produtos; neste particular a lei não se restringe ao responsabilizar os fabricantes. Considera responsáveis também os importadores, distribuidores, comerciantes e até os consumidores e titulares dos serviços de limbeza urbana ou manejo. A responsabilidade deverá ser implementada de forma individualizada e encadeada. Outro ponto forte abordado pela Política Nacional de Resíduos Sólidos é a logística reversa, que já existia em caso pontuais como pilhas e pneus.

A logística reversa integra todas as etapas e atividades de recolher, desmontar e processar produtos vencidos, sobras, resíduos, materiais e embalagens, e este fluxo reverso abrirá novas atividades profissionais e econômicas tanto internas quanto externas às empresas, tornando-se fontes alternativas de renda e contribuindo para a sustentabilidade das atividades empresariais através da redução dos impactos ambientais e sociais de seus resíduos e desperdícios nas cadeias de produção, armazenamento, distribuição, comercialização, consumo e descarte. A logística reversa é fundamental à destinação adequada dos resíduos pós consumo e sua reintrodução nos sistemas produtivos (Antonio Silvio Hendges, em www.ecodebate.com)

Continua o autor: as empresas deverão adotar práticas de sustentabilidade não apenas intencionais ou publicitárias, mas concretas, específicas e de longo prazo em suas atividades; não por boas intenções ou espontaneismo, mas por exigências da legislação ambiental.

Dessa forma, as empresas terão, obrigatoriamente, de sair do discurso para a prática. Como farão isso? Sinceramente não sei, porque há diferentes estágios de conscientização. Mas certamente muitas usarão sua obrigação legal para dizer que se tratam de iniciativas próprias de sustentabilidade. E, assim, a pressão sobre as que não se posicionarem claramente dessa forma será ainda maior. E quanto a isso, reproduzo o pensamento de um universitário quanto a isso, num dos eventos que participei: a sociedade cobrará coerência das organizações. Só discurso não será mais suficiente.

Para terminar utilizo outro trecho do artigo do Hendges, por acreditar que estamos diante de uma grande oportunidade de retirar todas as desculpas culturais e estratégicas para tentar colaborar na construção de um mundo mais sustentável:

As empresas poderão contribuir decisivamente para a melhoria da qualidade de vida, promovendo a inserção social através das cooperativas de reciclagem, geração de trabalho e renda, capacitação técnica e destinação adequada de seus resíduos e rejeitos, economizando matérias primas e energia, reduzindo os desperdícios e aumentando a eficiência de suas atividades. Este posicionamento estratégico será fundamental no estabelecimento de relações positivas entre as empresas e a sociedade, possibilitando o surgimento de diferenciais positivos em relação aos consumidores de seus produtos e serviços, fortalecendo as empresas e setores empresariais que assumirem suas responsabilidades com o futuro sustentável para as próximas gerações.

E para fazer isso as empresas precisarão inovar em seus modelos de gestão, de negócios, de relacionamento, de comunicação e de capacitação.

Até a próxima!

Dia da Inovação!? Sim, ele existe!

Tem dia para quase tudo neste País. Todo mundo se enquadraria tranquilamente em pelo menos 4 dias no ano (se fossem feriado teríamos muitas folgas). Um funcionário homem, gerente de banco, por exemplo: dia dos Bancários (28/08), do Gerente Bancário (15/05), do Homem (15/07), do Solteiro (15/08) ou dos Namorados (12/06) e/ou dos Pais, do Adulto (15/01).

Cada profissão também tem o seu dia, as datas importantes são lembradas, bem como as religiosas. Tem até emoções que já ganharam dia: dia da gratidão (06/01), dia da saudade (30/01)

Todo mundo sabe que tem o dia da mentira (01/04). Mas acho uma injustiça ter o dia da injustiça (23/08). Não vou nem comentar um dia para sogra (28/04). Só não achei dia para ex-cônjuge. Aí seria demais!

Assim como alguns dias que eu citei e inúmeros que eu não citei, pouca gente sabe do Dia da Inovação. Se inovação já é algo difícil de se tornar uma prática comum nas empresas, imagina saber que existe o Dia da Inovação.

Pena que este post não foi há exatos 7 dias (da data em que publiquei). Porque sairia exatamente no Dia da Inovação – 19 de outubro. E este é o primeiro ano em que se comemora essa data.

Esse dia é recente, fruto da Lei 12.193/2010, promulgada em janeiro. O Projeto de Lei, sugestão da Sociedade Brasileira Pró-Inovação Tecnológica (PROTEC), tramitava desde 2002. Segundo o diretor geral da PROTEC, Roberto Nicolsky, a data foi escolhida com o objetivo de valorizar a perseverança.

A escolha do dia é justa: uma homenagem a Santos Dumont, que no dia 19 de outubro de 1901 circundou pela primeira vez a Torre Eiffel em uma volta controlada, em seu dirigível nº 6. Mais conhecido como inventor do avião, Dumont era um persistente inovador. Entre balões, dirigíveis e diversos tipos de avião – monoplanos, biplanos e hidroplanadores – Dumont planejou, testou e construiu pelo menos 22 estruturas diferentes em onze anos, de 1898 a 1909. Durante os testes, os vários fracassos foram suplantados por modificações sistemáticas e novas tentativas, sempre em busca do aperfeiçoamento contínuo das máquinas voadoras.

Dirigível nº 6

Dirigível nº 6

 

Para o presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), Guilherme Ary Plonski, “a iniciativa da designação de um dia especial contribui para dar visibilidade à inovação e ao empreendedorismo como motores que ajudarão a levar o País, com segurança, a céus ainda mais elevados e não navegados”.

Muito poética a frase do Prof. Plonski, pessoa das mais reconhecidas no País quando se fala em inovação, que conseguiu juntar o motivo da escolha do dia com a necessidade do País. Certamente é muito bonito ter um dia especial para a inovação. Mas, para as organizações que pretendem celebrar essa data por muito tempo, o

DIA DE INOVAR É HOJE!

Mas, muita gente acha, e alguns até tem certeza, de que o dia de inovação é amanhã. Se você trabalha numa organização asssim, não se desespere, mas fique atento.

Estudo recente da IBM, com cerca mais de 2500 diretores executivos de tecnologia da informação (CIO) mostrou que são gastos IMPRESSIONANTES 55% de seu tempo com atividades que estimulam a inovação.

Essas atividades incluem o incentivo aos planos inovadores, a introdução de novas tecnologias e o gerenciamento de problemas de negócios não-tecnológicos. Os outros 45% são gastos em tarefas essenciais e mais tradicionais do CIO, relacionadas ao gerenciamento do ambiente tecnológico existente (o que inclui a redução dos custos de TI, a atenuação de riscos à empresa e o aproveitamento da automação para reduzir custos em outras áreas da empresa.

Confesso que fiquei muito surpreso com esse percentual de 55%, principalmente quando se fala em 2500 empresas. Ou seja, alguns usam até mais que isso (já que estamos falando em média). Penso que estejamos muito longe disso. Não saberia dizer quanto, mas é uma boa meta a ser batida.

Gostaria de me despedir desejando um feliz dia de “alguma coisa”, mas não identifiquei nenhuma data comemorativa para o dia 26/10. Então, vamos usar a criatividade e imaginar que estamos em 17 de novembro.

Feliz Dia da Criatividade!

CategoriasCultura, Gestão

Sonho de um…sonho de muitos

Olá pessoal!

Depois de algum tempo volto a postar alguma coisa. Mas a justificativa era boa: estava em férias.

Mesmo assim não consegui deixar de pensar em inovação. Não porque não tivesse desligado do trabalho (estava até sem o celular), mas porque estava num local que cheira criatividade e inovação: o mundo Disney.

Depois de quase 20 anos voltei a esse lugar fantástico para realizar os sonhos dos meus filhos (ou seriam os meus? Hehehe!). A grande expectativa era quanto à visita ao mundo mágico de Harry Porter, a mais recente atração do parque da Universal (que não faz parte do complexo Disney). Foram 3 semanas ouvindo a pergunta se o dia 21 estava chegando. No avião, olhando aquela pessoinha dormindo, vencida pelo cansaço, eu ficava imaginando como poderia comparar a experiência do meu filho de seis anos com algo semelhante à minha infância. Entre algumas opções, fiquei com a Batcaverna (infelizmente a Warner não tem parque temático). Fiquei imaginando a experiência de estar no batmóvel rasgando as ruas de Gotham City à procura do Curinga, Charada, Duas Caras ou Pinguim. Também devo ter sido vencido pelo cansaço e dormi. E talvez tenha sonhado. Mas logo acordei com um chute do caçulinha que dormia ao meu lado, sem nem saber direito para onde estava indo.

A Disneyland (traduzida para Disneylândia) foi inaugurada em 1955, na Califórnia. Mas o sonho de Walter (ou Walt) Disney não parou por aí. O complexo Walt Disney World foi inaugurado em 1971, na Flórida, pelo seu irmão, Roy (Walter faleceu em 1966). E a partir daí o sonho de muitas pessoas, de todas as idades vem sendo realizado. É impossível não se emocionar numa visita aos parques, seja pela beleza, pela organização ou pelas inovações que presenciamos.

Quem visita o complexo Disney hoje nem imagina como foi o dia da inauguração. Nem tudo correu as “mil maravilhas” e, não por outro motivo, ficou conhecida como “domingo negro”, tendo ocorrido inúmeros problemas: o número de pessoas que adentraram ao parque era muito superior ao número de convites distribuídos (cerca de 30 mil presentes para 11 mil convidados), a limpeza também foi um problema, o atendimento dos funcionários, etc. Não por outro motivo o parque foi fechado por 3 semanas para que os problemas pudessem ser analisados e sanados.

Foto de 1959

A partir desta triste experiência, Walt que sempre buscou a excelência e a qualidade, passou a treinar o seu próprio pessoal – que agora não mais seria tercerizado – ensinando-os a respeito do tratamento que deveria ser dado aos visitantes e outros detalhes com o objetivo de tornar a experiência dos seus clientes única. Após a reinauguração do parque e com o seu enorme sucesso toda a área próxima ao parque se valorizou de sobremaneira, impossibilitando a Walt qualquer expansão. Assim, Disney começou a buscar outras alternativas para alçar vôos mais altos, e dediciu construir na cidade de Orlando, na Flórida, o maior parque temático de todo o mundo.

Bem, o resto da história está lá para quem puder ver, fruto, principalmente, da criatividade de Walt Disney, que foi estudada por Robert Dilts, um dos pioneiros da Programação Neuro-Linguística. Para trazer um pouco das informações a seguir, recorri ao blog Criatividade e Inovação, do Jairo Siqueira

Segundo um dos parceiros de Walt, havia na realidade três diferentes pessoas: o sonhador, o realista e o desmancha-prazeres. E era impossível saber qual deles viria para uma reunião.

Walt Disney usava e coordenava sua imaginação (o sonhador), traduzia metodicamente suas fantasias em formas tangíveis (o realista) e aplicava seu julgamento crítico (o crítico).

Na visão do processo criativo podemos distinguir essas três perspectivas:

a) o Sonhador é aquele que sonha alto e dá asas à imaginação, sem medo, inibições e censura. Para ele nada é impossível.

b) o Realista é aquele que faz as coisas acontecerem. Pensa de maneira construtiva e sabe como planejar, estabelecer prazos e metas, definir responsabilidades e dimensionar recursos.

c) O Crítico é aquele que se concentra no que pode dar errado e sempre encontra furos nas ideias e nos planos. É essencial, pois sabe como localizar as falhas e possibilita a tomada de ações preventivas para eliminar as causas de problemas potenciais.

Você conhece pessoas assim? Você se enquadra em algum deles? Ou você tem as três características?

Normalmente cada um de nós traz dentro de si o sonhador, o realista e o crítico. Algumas pessoas são naturalmente mais inclinadas para um destes. O problema está quando às vezes optamos por usar somente um deles ou quando os três entram em conflito e ficam paralisados.

A maior probabilidade de conflitos está entre o sonhador e o crítico. Não porque são incompatíveis, mas porque o crítico às vezes crítica o sonhador, ao invés do sonho. Por outro lado, o sonhador, ao receber uma crítica, faz-se por vezes de vítima e leva o assunto para o lado pessoal. 

Seja individualmente, ou em equipe, o segredo do sucesso é integrar as três perspectivas de maneira produtiva e assegurar que todas elas sejam colocadas no que está se propondo fazer.

“Bem liderado, um grupo de pessoas que reúne estas três perspectivas forma uma equipe coesa de bons inventores e solucionadores de problemas. Como seres humanos, nós temos a habilidade de sermos criativos. Na verdade, ser mais ou menos criativo resulta fortemente da estratégia comportamental que escolhemos. Saber combinar e usar adequadamente as perspectivas de sonhador, realista e crítico é um dos mais importantes componentes desta estratégia.”

CategoriasCultura, Gestão, Ideias, Pessoas

Facebook e Twitter são inovações?

Essa pergunta parece ridícula, não é?

Talvez nem tanto. Tenho lido alguns artigos falando sobre a necessidade de ganhos econômicos para caracterizar alguma coisa como inovação. Isso me entristece um pouco porque até as pessoas que estão lidando diretamente com inovação estão enviesando a discussão somente para o lado financeiro (ou seria o pessoal do financeiro entrando no campo da inovação?). Enfim, só quem tem que prestar contas de dinheiro investido em projetos de pesquisa e inovação sabe a dificuldade de mensurar resultados, principalmente no setor de serviços e, mais ainda, no de finanças.

Antes de retomar nossa pergunta, é interessante falar um pouco da diferença entre criatividade, invenção e inovação, obviamente sem pretender definir a questão, já que dizem que cada estudioso no assunto tem um conceito diferente. Como este espaço é livre para manifestar opiniões, vou apresentar uma abordagem que já utilizei em algumas apresentações sobre o assunto e que está aberta a debates:

- A criatividade é o produto da mente humana, enquanto geradora de novas ideias, conceitos ou teorias;
- A invenção está um passo à frente, quando se delineia um produto, processo ou protótipo resultante da combinação de ideias em que uma, pelo menos, é inteiramente nova, ou ainda, em que o modo como essas ideias estão combinadas é totalmente novo.
-  A inovação é a transformação de ideias e/ou a utilização de invenções, de que resultam aplicações úteis que possam promover melhorias.

Assim, a criatividade existe no universo das ideias, em que os processos são cognitivos; a invenção, no universo das tecnologias, em que os processos são tecnológicos; e a inovação, no universo dos mercados, em que os processos são empresariais. Uma ideia só se transforma numa invenção se puder gerar algo que funcione; uma invenção só se torna numa inovação se puder ser implementada com sucesso na sociedade.

http://www.spi.pt/documents/books/inovint/gi/experimentar.manual/1.1/cap_apresentacao.htm#bk2

Dessa linha de raciocínio resulta o conceito que é adotado no Fórum de Inovação da Fundação Getúlio Vargas, no qual inovação é uma ideia que, implementada, gera resultado. Ou seja: Inovação = ideia + implementação + resultado.

É exatamente na última componente da equação que acontece a discussão, porque alguns lêem “resultado” apenas como ganho financeiro. E, sob essa ótica, Facebook e Twitter ainda não poderiam ser considerados inovações porque ainda operam “no vermelho”. O Twitter, inclusive, andou contratando pessoas para rentabilizar sua operação (G1 – 11/01/2010 – Twitter abre vagas para transformar “tweets” em dinheiro).

Mas, felizmente, a maioria gosta de olhar a componente “resultado” com outros olhares, tais como, benefícios para empresa/sociedade, aumento de market share, divulgação da marca, rentabilização e fidelização de clientes, responsabilidade socioambiental.

Nos dias 02 e 03 de agosto representantes das empresas estatais estarão reunidos para conhecer os critérios da Pintec – Pesquisa de Inovação Tecnológica, realizada pelo IBGE, com o objetivo de avaliar como anda a inovação no País. Até este ano a pesquisa era realizada com empresas com 10 ou mais funcionários dos setores industrial, telecomunicações, informática e P&D. A partir de agora, as empresas estatais farão parte do universo da pesquisa (algumas como Petrobras, Serpro e Embrapa, por exemplo, já estavam incluídas). Serão mais cerca de 75 empresas participando da pesquisa.

A pesquisa segue critérios internacionais para definição do que é inovação, notadamente o Manual de Oslo. Certamente um dos assuntos debatidos será a mensuração dos resultados. Vale lembrar que algumas não podem/devem apresentar lucros.

Bem….. como esse é um longo assunto, deixarei para falar de Manual de Oslo e Pintec num próximo post. Enquanto isso, sugiro uma reflexão sobre como temos utilizado, de forma banalizada, a palavra inovação para qualificar o lançamento/implementação de alguns produtos, serviços e processos.

Saudações!

Luiz Henrique

O troféu da inovação vai para…

O avião é, para mim, um lugar muito bom para reflexões, após um dia de muitas discussões (no bom sentido), quando não se tem muito tempo para refletir sobre o que foi dito. Tenho resolvido alguns problemas “nas alturas”.

Certamente não posso falar aqui da resposta que pensei para os meus desafios, mas quero compartilhar um pouco da reflexão “aérea” que tive para chegar lá.

Durante um debate um colega expôs sua opinião de que empresas que respondem rapidamente aos estímulos do mercado são mais inovadoras que as outras. Como não houve discordância, entendi que houve um consenso em relação a isso. Então, quem responde mais rápido, leva o “troféu da inovação”.

E o que isso significa? Empresas com menor velocidade de resposta, a exemplo daquelas sujeitas a uma série de restrições da lei de licitações e/ou com complexos sistemas decisórios, sempre chegarão atrás? Em princípio sim. Mas não é o que acontece na prática. E por quê?

Porque, na minha opinião, existe um importante fator ligado ao estímulo: o tempo em que ele é percebido. Assim, se você percebe antes alguma coisa, tem mais tempo para executar suas ações. Portanto, empresas com maior tempo de resposta precisam perceber antes as demandas e as tendências do mercado. Como fazer isso? Inteligência.

Independentemente do nome que se queira utilizar (inteligência competitiva, inteligência de mercado, monitoramento, prospecção tecnológica, vigilância tecnológica, pesquisa de mercado, estudos prospectivos, cenários, roadmap e outros mais), para levar o “troféu” é preciso chegar antes no problema ou na oportunidade. E isso se consegue, de modo sustentável, sistematizando seu processo de inteligência.

E aqui existe um grande desafio. Tenho visto empresas com áreas estruturadas de inteligência, outras com áreas estruturadas para inovação, poucas com as duas e menos ainda com uma integração entre ambas.

Felizmente tive a oportunidade de conhecer todas essas realidades: processos ligados à inovação mais rápidos ou mais lentos, com ou sem esforço de inteligência competitiva, com ou sem área de inovação e com ou sem integração disso tudo.

Meu desafio? Deve ser igual ao de todo mundo….ajudar a empresa a levar o troféu da inovação.

Como? Isso é segredo! Talvez até para mim mesmo ……

Mas acho que já dei algumas dicas.

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