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Criando Perspectiva

O  famoso filósofo alemão Arthur Schopenhauer disse certa vez: “A tarefa não é tanto ver o que ninguém viu ainda, mas pensar o que ninguém pensou sobre algo que todos vêem”. Será isso mesmo?

Quando participava de um evento sobre inovação no ano passado, ouvi uma apresentação instigadora, daquelas que “valem o ingresso” como se diz. Era Kip Garland, fundador da Consultoria Innovation Seed.

Posso dizer que houve uma frase que deu o tom da palestra: “Inovação não começa com ideias, e sim com perspectivas. Em vez de se preocupar com respostas, muito mais importante são as perguntas”.

Perceberam a diferença entre as duas?

A visão do filósofo parece ser a doutrina vigente nas organizações. Temos nossos problemas e estamos sempre procurando respostas novas para resolvê-los. A isso estamos chamando inovação.

Para o consultor, no entanto, se quisermos realmente estar à frente dos demais “precisamos fazer diferente“. Fazer diferente, para ele, é realmente parar de procurar por respostas e passar a criar novos questionamentos. São as perguntas novas, que surgem de enxergar os problemas ou mesmo o mundo de uma forma nova, que podem criar uma perspectiva diferente para o processo de inovação.

A figura a seguir mostra como, no longo prazo, novas respostas tendem a um limite de ganho. cedendo espaço para aqueles que fizeram novas perguntas no passado.

Ele exemplifica sua teoria com uma história bem simples: quando os homens ainda pensavam em como criar armas de caça mais eficientes, alguém pensou em caçar sem sair do lugar e criou a domesticação de animais. Isso foi uma mudança de perspectiva.

Um exemplo de um produto, que criou perspectiva, mas que vem até hoje buscando por novas respostas, é o Walkman, desenvolvido em 1979 (o aparelho em azul na foto) . Alguns de vocês provavelmente não tiveram oportunidade de ter um – hoje eles já tocam música digital e tem tela touchscreen.

Uma das estórias sobre sua criação (achei mais de uma na internet) diz que tudo começou quando Masaru Ibuka disse a Akio Morita (fundador da Sony) que gostaria de ouvir música o tempo todo, mas que carregar o equipamento era muito desconfortável. Morita imaginou que muitos jovens tinham o mesmo problema. Assim, pediu aos seus funcionários que construíssem um pequeno gravador experimental, com fones de ouvido leves e confortáveis. Para os mais novos, gravador era o nome de um aparelho que tocava fitas-cassete e, eventuamente, servia também para gravá-las.

O primeiro Walkman foi desenvolvido em abril de 1979 e vendeu cerca de 1,5 milhão de aparelhos em seus dois primeiros anos no mercado, 30 mil somente nos três primeiros meses. Era a perspectiva da mobilidade e da individualidade da música ganhando espaço.

Atualmente, é a questão da sustentabilidade que ganha espaço. Nessa temática, Garland nos deixa o seguinte pensamento para explicar sua teoria e que gostaria de usar para encerrar este post: “Hoje, ao invés de nos perguntarmos como fazer para nos transportarmos com energias mais limpas, devemos questionar por que estamos nos transportando tanto”.

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