Há males que vem para o bem

ImagemDepois de tanto tempo sem escrever, resolvi me manifestar sobre esses movimentos. Talvez não seja uma opinião nova, porque é impossível ler tudo o que publicam sobre o assunto. E não tem nada a ver com posição partidária. Vamos ao que interessa.

Na minha opinião, o que está ocorrendo, do ponto de vista das eleições do ano que vem, é a melhor coisa para o governo da presidentA. Como assim. Ficou louco ????????????

Talvez,. Mas se eu fosse um profissional de marketing ligado ao governo gostaria de ter pensado nisso (Rsssss). Este governo vinha obtendo índices muito elevados de popularidade. E isso certamente o deixava numa zona de conforto, na crença de que o caminho está correto. Conversando com muitos especialistas, no início deste ano, todos, repito, todos, apesar de não concordar com a política econômica, concordavam que era muito grande a probabilidade de reeleição. Quase uma certeza. A menos que (sempre tem um “a menos que”) a economia saísse dos trilhos.

Ora, a inflação está em alta, o dólar disparou, a bolsa vem caindo, o investimento externo vai fugindo, já se fala em rebaixar o risco-país, analistas estrangeiros bombardeiam as decisões econômicas e o tal do ‘pibinho’ ameaça dar as caras novamente em 2013.

Isso tudo seria um prato cheio para a oposição no ano que vem, certo?

Eis que, de repente, por causa de “20 centavos”, surge uma pequena manifestação na cidade de São Paulo. E isso cresce rapidamente (não precisa contar a história aqui), juntamente com o questionamento dos gastos para a Copa do Mundo, uma vaia na abertura da Copa das Confederações e explode uma insatisfação generalizada contra a política e os políticos deste país. E aqui incluídos executivo, legislativo e judiciário.

Todo mundo quis se ver fora dos motivos da manifestação, mas como se viu, os três poderes estão envolvidos nisso até o pescoço. Enquanto se via o crescimento do país, a inflação controlada, a classe C aumentando e o desemprego caindo, boa parte da população foi engolindo a seco a corrupção e a ineficiência administrativa que tomou conta do país.

Por isso que digo que esse movimento foi bom para o governo atual. Um movimento que não é de direita nem de esquerda, que está tão descrente dos políticos que não aceita se misturar com eles. A reclamação é generalizada, de diversas idades e classes sociais. E estão direcionadas tanto para o executivo federal, quanto para o estadual e para o municipal, sem esquecer do judiciário e, principalmente, do legislativo também nas três esferas. Assim, se em 2014 o foco dos problemas estaria no executivo federal (e no estadual), o problema está diluído agora.

A presidentA tem uma grande chance de tirar o governo da zona de conforto e liderar este país para atender a pelo menos parte das dezenas de motivos levantados nas manifestações. A estratégia de não ver o que está acontecendo ou isso não é comigo não vai funcionar. O povo reaprendeu a mostrar sua indignação. É claro que nem todas as soluções são de competência do executivo. Mas vivemos num país presidencialista e o governo tem maioria no congresso e pode e deve fazer a diferença a favor da população.

Caso não o faça, pode até vencer as eleições de 2014. Mas será muuuuuuuito mais difícil.

Boa sorte pra nós!!!!!!

Luiz Henrique

P.S. Sei que alguns nomes deveriam ser escritos com letra maiúscula. Não é preciso explicar porque os escrevi em minúsculo.

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Pois 21 vezes venceu … Carnaval e Inovação

Hoje falaremos de Carnaval. Quem já me acompanha no Blog há algum tempo sabe que isso é uma meia verdade (ou seria uma meia mentira?). Ao final falarei mesmo de inovação, mas semana passada me deu um sentimento retrô (ou seria vintage, sei lá!).

Sei que muitos não gostam e, até mesmo, odeiam o carnaval. Pois eu gosto muito. O tempo e os filhos me sossegaram um pouco, mas já passei muitas madrugadas em claro vendo os desfiles, torcendo pela minha gloriosa Portela. Diga-se de passagem, a última vez que a vi ganhar um título foi em 1984, com o enredo Contos de Areia. Era a inauguração do Sambódromo e nada mais justo que Portela e Mangueira, duas das mais tradicionais escolas de samba, dividissem o título naquele ano, que viu, a partir de então, um número maior de escolas desfilando e um desfile que passaria a ser em dois dias.

Essa recordação veio muito forte na semana passada. Estava em Curitiba, a trabalho, e após um compromisso noturno, vi que dava tempo de ver o jogo do meu time na Libertadores. Mas no hotel não daria pra ver. Então, o taxista me informou que o famoso bar “Aos Democratas” trasmitia todos os jogos de futebol. Estava perto do hotel e…. fui. Ao chegar, para minha surpresa, show de Neguinho da Beija-Flor. A gente fala tanto em meme, e há quanto tempo escutamos: “Olha a Beija-Flor aí gente. Chora cavaco!” Numa roda de samba pra lá de animada, com sambas das antigas, acabei me lembrando de um dos melhores de todos os tempos:

Samba Enredo 1984 – Contos de Areia
G.R.E.S. Portela (RJ)

Bahia é um encanto a mais
Visão de aquarela
E no ABC dos Orixás
Oranian é Paulo da Portela
Um mundo azul e branco
O deus negro fez nascer
Paulo Benjamim de Oliveira
Fez esse mundo crescer (okê, okê)

Okê-okê Oxossi
Faz nossa gente sambar (bis)
Okê-okê, Natal
Portela é canto no ar

Jogo feito, banca forte
Qual foi o bicho que deu?
Deu Águia, símbolo da sorte
Pois vinte vezes venceu

É cheiro de mato
É terra molhada (bis)
É Clara Guerreira
Lá vem trovoada

Epa hei, Iansã, epa hei (bis)

Na ginga do estandarte
Portela derrama arte
Neste enredo sem igual
Faz da vida poesia
E canta sua alegria
Em tempo de carnaval
(Ê Bahia…)

Ê Bahia … palco de muitos carnavais atrás do trio elétrico. Ops, ops! Isso é outra história. Voltemos ao Rio de Janeiro. E com esse samba (inesquecível), a Portela, maior campeã do carnaval, botaria mais um título na letra, ganhando pela 21ª vez.

Talvez não tenham sido somente a idade e o sono os responsáveis pela redução do desejo de acompanhar escola a escola. Antigamente, se a gente ligasse a televisão no meio de um desfile, a gente sabia qual escola estava desfilando, seja pelo samba-enredo (a gente comprava disco com os sambas-enredo), pelo símbolo da escola, pelas cores ou, para os especialistas, pelo ritmo da bateria. A Portela era azul e branco, o Salgueiro vermelho e branco, a Mangueira verde e rosa, etc. Hoje não é mais assim.

O que mais me lembro desse período de Sambódromo foi uma série de vitórias da Imperatriz Leopoldinense, graças à brilhante carnavalesca Rosa Magalhães, responsável por nada menos que cinco, dos oito títulos da escola. A Imperatriz, com seus luxuosos e tecnicamente perfeitos desfiles, conseguiu romper a hegemonia da fabulosa Beija-Flor, de Joãosinho Trinta (confesso que tinha muita raiva/inveja porque esses dois ganhavam quase tudo). Na era pós-sambódromo, a Beija-Flor é a maior campeã, com 7 títulos, seguida da Imperatriz e Mangueira, com 6 cada uma.

Aí vem a tradicional pergunta: e a inovação? Pois é, veja bem…

Você sabe quem é Paulo Barros? Algumas perguntas para ajudar na resposta. Você lembra:
– de uma comissão de frente em que as pessoas trocavam de roupa como se fosse mágica?
– de sambistas perdendo a cabeça?
– de uma comissão de frente com sanfonas dançantes?
– do carro do DNA?
– do nadador sendo devorado pelo tubarão?
– de uma pista de ski na avenida?

Se não sabe ou quer matar saudade dessas cenas, veja o vídeo.

Paulo Barros é o carnavalesco “da hora”, conhecido por suas inovações. Em 2004 e 2005 foi vice campeão pela Unidos da Tijuca. Após um resultado ruim em 2006, passou pela Viradouro, onde foi demitido em 2008. Após passagem pela Vila Isabel, voltou à Unidos da Tijuca em 2010, onde foi campeão, vice em 2011 e novamente campeão em 2012, com a incrível pontuação de 299,9 (perdeu apenas 0,1 no quesito alegorias).

E por que Paulo Barros impressiona? Por que a “eficiência operacional”, implantada com muita competência pela Imperatriz Leopoldinense e depois seguida por diversas escolas, havia pasteurizado os desfiles. O carnaval virou commodity. E Paulo Barros veio trazer inovação aos desfiles. E pelo terceiro ano fez sucesso (mesmo com o questionado segundo lugar em 2011). Em 2011, perguntado sobre qual tema ele traria em 2012 ele respondeu: “Ano que vem queria fazer sobre a Madonna. Mas como é muito internacional, acho que vou fazer sobre o Neguinho da Beija-Flor. Quem sabe assim o título vem.”. Só lembrando que a campeã em 2011 foi a Beija-Flor, assim como em 2004 e 2005, em que a Unidos da Tijuca foi vice-campeã também.

Em 2012, nada de Madonna, o tema foi mesmo um brasileiro: Luiz Gonzaga. Nem sempre dá pra ousar demais. O “mercado” pode ainda não está preparado. Mas é possível inovar dentro dos limites impostos pelo mercado até que um dia chegue o momento. Quem vê as comissões de frente hoje não consegue achar a menor graça naquelas comissões estáticas com a velha guarda da escola. O risco dos que começaram a mudança foi muito alto, porque a competição é acirrada e inovação faz parte do contexto, não tem nota exclusiva.

A Unidos da Tijuca colocou um pouco de forró na bateria. Antes do desfile, dizia o mestre de bateria da escola: “Acho que essa “paradinha” de forró vai ferver. O público e os jurados esperam ousadia das baterias e meu compromisso como mestre é justamente inovar. Gosto de buscar referências de gêneros que tenham relação com o enredo e conseguimos encaixar o baião nas nossas bossas de uma forma muito interessante. Meus ritmistas gostaram e acho que tem tudo para ser um sucesso esse forrozinho – aposta.

A ideia de temperar o samba com forró surgiu no táxi do próprio mestre Casagrande, enquanto trabalhava. O surgimento do enredo de 2010 é que foi mais curioso. Veio das redes sociais. Um adolescente, de 14 ou 15 anos, fez a sugestão ao Paulo Barros pelo Orkut. O resto é história.

Dizem que a TI também virou commodity. E que a pauta de exportação brasileira está baseada em commodities. E, “pra não dizer que não falei de bancos”, dizem que os serviços financeiros viraram commodity.

Será que vai aparecer um Paulo Barros do setor financeiro?

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J2BD

Acho que este será o último post de 2011. Quer falar então sobre um tema que venho ouvindo com certa freqüência nos benchmarkings que estou fazendo. Se você desistir de ler até o final, já quero deixar meus votos de um grande 2012 para cada um, cheio de inovação no trabalho e na vida pessoal, onde o resultado principal seja a felicidade. Vamos lá!!!!!

As coisas ligadas à inovação são curiosas. Demora muuuuuuuuiiiiiiiiito tempo até que “caia a ficha” para que alguma nova teoria ou conceito comece a ser utilizado.

Parêntesis saudosista (ou retrô — ou seria vintage?): Cair a ficha = expressão que em breve ninguém saberá o que significa, porque é uma expressão do século passado, usada para dizer que se demorava para entender o que estava acontecendo. Uma alusão aos orelhões (aquelas “coisas” com um telefone dentro), que à época precisávamos colocar uma ficha para fazer ligações e somente quando completava a ligação a ficha caía no coletor de aparelho, o que, muitas vezes, demorava muito. Fecha parêntesis.

Sou um fã do Clayton Christensen. Já devo ter falado dele em algum post. Aliás é difícil falar sobre inovação sem citar alguns de seus ensinamentos. Quando se fala em inovação disruptiva, inovação sustentável, resultado econômico para inovação, seu nome é facilmente associável.

Além dos acima citados, tem um outro usado por ele desde 2003, que vem ganhando corpo. Não sei se foi ele quem falou disso primeiro, nem se a primeira vez foi realmente em 2003. Mas, como não pretendo fazer revisão bibliográfica, vou me arriscar a cometer esse erro (se alguém tiver essa informação, ilumine-nos).

O conceito é o “Job to be done” (que chamaremos de J2BD para facilitar), ou seja, a tarefa a ser realizada. Para entender o que é isso, precisamos nos perguntar por que as pessoas compram? Segundo o artigo Finding the right job for your product, escrito por Clayton Christensen, Scott Anthony, Gerald Berstell e Denise Nitterhouse, as pessoas compram para realizar tarefas (jobs). Eles defendem que o job deve ser a unidade central de análise de oportunidades de inovação, ao contrário dos diversos tipos de segmentação que costumamos realizar (de fato, as abordagens podem ser complementares, mas não vamos entrar neste mérito hoje).

Uma das vantagens dessa abordagem é que a tarefa muda muito pouco ao longo dos anos. Exemplos clássicos: eu não preciso necessariamente de um chinelo, um sapato ou um tênis, mas sim proteger meus pés enquanto caminho. E há quanto tempo é assim?

Homens precisam tirar os pelos do rosto (o que aliás é muito chato; gasta-se tempo e dinheiro com giletes, barbeadores e barbeiros). Essa é um pouco mais recente que a anterior, mas continua sendo uma tarefa cotidiana.

Outro exemplo comum é o da furadeira. Quem disse que queremos ou precisamos ter uma. O que precisamos é do furo (já falei disso no post sobre compras coletivas).

A Brastemp enxergou isso. Nós não precisamos de filtros ou galões de água em casa. Precisamos é de água. Nossa tarefa é buscar água limpa para beber, cozinhar, etc (igual era há milhares de anos). Não precisamos de purificador de água grande ou pequeno, cinza ou branco para combinar com a cozinha, de torneira ou de botão, com uma, duas ou três filtragens, etc. O que fez a Brastemp? E lançou um serviço de assinatura de água. (http://www.brastemp.com.br/PurificadoresdeAgua). E tem mais, você não precisa de se preocupar com a manutenção. Eles cuidam da troca de filtros.

Steve Jobs parece ter sido um “predestinado”. Seus produtos foram muito focados na tarefa a ser realizada. Mas esse será assunto do meu próximo post, no ano que vem, quando falarei sobre os “não” da inovação (olha o teaser!!!. Kkkkkk).

Haveria muitos outros exemplos, mas posts muito longos não são o meu forte. Então vamos tratando de encerra-lo.

O setor financeiro precisa estar atento a isso. Ninguém acorda com vontade de ir correndo a um banco fazer um CDC ou um cheque especial ou aplicar em um fundo. Cada cliente tem uma tarefa a ser realizada. Quem conseguir trabalhar isso pode “descomoditizar” os produtos e serviços financeiros.

Feliz 2012!!!!!!!!!

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Você conhece o Butão?

O  Butão fica no “topo do mundo”, bem perto do céu. Um pequeno reino distante, isolado, onde vive um povo que se considera feliz. Dizem ser um dos pedaços mais belos deste planeta. O país fica na Ásia, encravado bem na Cordilheira do Himalaia, entre dois gigantes. Ao norte, está a China. E ao sul, a Índia.

O país viveu isolado durante séculos. O terreno acidentado e o difícil acesso ajudaram o povo a preservar a harmonia e as tradições. Há 60 anos é que o Butão começou a ter contato com o resto do mundo.

Em 1974, um rei muito jovem, com 18 anos, assumiu o trono. Ele era um idealista, um sonhador e não queria repetir no Butão os erros que havia observado em outros países, como a falta de harmonia familiar, o excesso de consumo, a falta de cuidado com a natureza.

A diferença do Butão é que as ideias convencionais de desenvolvimento não devem ser aplicadas. O que se quer é criar um ambiente para o florescimento da felicidade. A Felicidade Interna Bruta (FIB) é muito mais importante que o Produto Interno Bruto (PIB).

O atual rei do Butão é o mais jovem monarca do mundo, com 31 anos e solteiro, após seu pai abdicar do trono, apesar de não estar velho. Três anos atrás, o país virou uma monarquia parlamentarista, mas os ensinamentos do rei sonhador não foram esquecidos. Hoje, existe um departamento especial para cuidar da felicidade do povo.

Não é fácil medir a felicidade, ela depende de cada um. O que se tem é um instrumento de triagem. Então, qualquer política, programa, iniciativa, que vai para a comissão, é testada por este instrumento, no qual se avalia o impacto na FIB.

Ao contrário do PIB, que tem um índice para ser avaliado, a Felicidade Interna Bruta não pode ser medida. Mas o governo usa 23 critérios para avaliar se um projeto pode ou não diminuir a felicidade do povo. Dependendo disso, ele é ou não aprovado.

Entre os critérios estão saúde, governança, uso do tempo, valores de família. Se a iniciativa estiver de acordo com estas variáveis, irá contribuir para a felicidade.

E isso é relevante para o mundo? O Butão ocupa a 133º, entre 177 países, no ranking do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano). Mas veja a resolução da Organização das Nações Unidas, publicada na assembleia no dia 11 de julho de 2011:

Reconhecendo a necessidade de promover o desenvolvimento sustentável e atingir as Metas de Desenvolvimento do Milênio,

1. Convida os Estados Membros a perseguirem a elaboração de indicadores adicionais que melhor capturem a importância da busca da felicidade e do bem-estar no desenvolvimento, com vistas a orientar suas políticas públicas;

2. Convida aqueles Estados Membros que tenham tomado iniciativas para desenvolver novos indicadores, e outras iniciativas, para que compartilhem informações daqui para frente com o Secretário-Geral, como uma contribuição para a agenda de desenvolvimento das Nações Unidas, incluindo as Metas de Desenvolvimento do Milênio;

3. Dá as boas vindas à oferta do Butão no sentido de convocar um painel de discussão sobre o tema FELICIDADE E BEM-ESTAR durante sua 66ª sessão;

4. Convida o Secretário-Geral a buscar os pontos de vista dos Estados Membros e relevantes organizações regionais e internacionais na busca da felicidade e do bem-estar, e comunicar tais pontos de vista na Assembléia Geral na sua 67ª sessão para uma análise mais aprofundada.

Diversos países, inclusive o Brasil, estão recebendo recursos para estudar esse assunto.

Mas que papo é esse de felicidade? Daqui a pouco você vai falar de amor! Qual é? Estamos no mundo dos negócios! Business…..

Se não quiser mais ouvir falar sobre isso, feche o browser agora. Ficou? Então vamos! =D

No mês de agosto estive no FDC Experience, um evento completamente inovador promovido pela Fundação Dom Cabral. Dois dias de muita reflexão, com cerca de 400 executivos de empresas e consultores. O tema? Novos mapas: mundial, organizacional e pessoal.

E onde entra a felicidade? Em todas as sessões. A primeira mesa (das poucas que ocorreram) fala de amor e felicidade. Os habitantes do planeta precisam ser felizes; os funcionários das empresas precisam ser felizes; as pessoas precisam ser felizes. E, na última atividade, a mensagem foi bem clara: VOCÊ precisa ser feliz.

Não tenho a receita para a felicidade. Nem pessoal, nem empresarial. Pode ser com ou sem inovação, com ou sem tecnologia, consumindo mais ou menos, com ou sem cartão de crédito. Só sei que dependo de mim. Passo muito tempo dentro desta empresa e, se não for feliz aqui, me restará muito pouco tempo para ser feliz.

Então já resolvi, serei FELIZ! Muito feliz! Você vem comigo?

P.S. Quem quiser assistir um dos palestrantes do evento há uma palestra, no Youtube, do Prof. Clóvis de Barros Filho, parecida com a que ele fez. O nome é “A vida que vale a pena” (http://www.youtube.com/watch?v=D8_NICu4mq0). É muito boa!!!!

Informações do Butão obtidas em  http://g1.globo.com/globo-reporter/noticia/2011/05/conheca-butao-que-e-considerado-o-pais-da-felicidade.html

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Parábola do Inovador

O ‘Reino da Inovação’ será como o Sr. Futuro que, passeando pelas rodovias do mundo empresarial, derramou alertas, tendências e fatos portadores de futuro.

Eis que passa o primeiro veículo. As pessoas estavam muito preocupadas com seus problemas atuais. Sua estratégia era diminuir o custo da viagem: reduzir a velocidade, economizar combustível, poupar os pneus, não parar para lanches. Gastando muito tempo olhando para seu painel de controle, não perceberam os avisos e seguiram viagem pelo caminho que já estavam acostumados a fazer.

O segundo veículo a passar pela estrada tinha um histórico de conquistas. Seus ocupantes gostavam muito de olhar o retrovisor e celebrar suas vitórias. “Em time que está ganhando não se mexe”. Chegaram  a ver os avisos mas estavam muito ocupados conversando sobre o que já tinham feito para garantir o sucesso.

E veio o terceiro veículo, onde as pessoas pareciam estar bem focadas e comprometidas. Sem uma rota definida, o olhar procurava algum veículo com credibilidade para seguir e todo esforço era feito para manter o ritmo e não se perder. Os avisos, apesar de vistos, não interferiam no comportamento.

Finalmente veio o quarto veículo. As pessoas em seu interior olhavam constantemente para o lado de fora, acompanhando os sinais. Depois havia uma ampla discussão entre eles para decidir o que fazer. Com o destino definido e um mapa (ou GPS), passavam por vários caminhos e faziam diversas paradas, aproveitando as oportunidades, já que não temiam se perder.

Quem tem olhos para ler, leia…

Abraço.

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O paradoxo da inovação

Fato 1:  Odeio preencher formulários a mão! Aqueles de recepção de hotel então nem se fala.

Fato 2: Acho que estou desaprendendo a escrever por causa do computador. Fico pensando se nesse mundo cada vez mais touch perderei também minha pequena habilidade de digitação, algo que aprendi nos velhos tempos da máquina de datilografia e que venho cultivando com o teclado do computador. Para quem não sabe, muitos concursos públicos tinham prova de datilografia. Que horror!

Fato 3: Será que meus filhos ainda usarão computador? Eles adoram brincar com os meus gadgets, principalmente os touch screen.

Fato 4: Preciso comprar um tablet!!!!!!!!
                                        Fonte: Isto é Dinheiro

Não me pergunte se é modismo, consumismo ou praticidade. Talvez um pouco de cada? NÃO RESPONDO !!!!!

E já resolvi: será um iPad 2 que, por sinal, começou a ser vendido no Brasil no final de maio (e, pra variar, acabou instantaneamente). É que preciso completar (não sei quando) o meu kit geek (iPod, iPhone, iPad). Hehehe! Falando assim parece fácil, mas não foi tão “simples assim”.

??????????????

Escolher um tablet está sendo uma decisão cada vez mais difícil. A minha foi pela comodidade (a idade vai chegando e lidar com vários sistemas, menus e botões vai ficando complicado). Não me lembro de ter visto um produto ser lançado por tantas marcas em tão pouco tempo. No início cheguei a ficar em dúvida entre o iPad 2 (Apple) e o Galaxy Tab (Samsung). Hoje já tem, ou já foi anunciado, o Streak (Dell), G-slate e Optimus Tab (LG), Eee Pad MeMO (Asus), Le Pad (Lenovo), Xoom (Motorola), Flyer (HTC), Playbook (RIM), Touchpad (HP), S1 e S2 (Sony) e Iconia Tab A500 (Acer).

Tem ainda marcas menos conhecidas como o Galapagos (Sharp), ZTE V9 (ZTE), STI Mypad MP 1003G (Toshiba) e Life (Multilaser). Até a famosa marca de máquinas de datilografia (Olivetti, aquela dos concursos de datilografia, lembra?) apresentou o seu OliPad. Ainda tem a Positivo (nacional) anunciando o seu produto. Você contou? Vou te ajudar: 20. Na Consumer Electronics Show – CES 2011, uma das maiores feiras profissionais de eletrônicos do mundo, a expectativa era de que fossem mostrados mais de 80 modelos.

Se havia dúvida entre sistema operacional aberto (Android) ou fechado (iOS-Apple), a coisa ficou ainda mais complicada. Tem ainda o Windows 7, o webOS e o sistema da RIM (Blackberry). Complicado? Eu também acho.

Principalmente se pensarmos que, apesar de terem surgido na década de 80, os tablets (gadgets considerados atualmente como híbridos de netbooks e smartphones) voltaram a ganhar notoriedade somente em abril de 2010, com o lançamento do iPad. De lá para cá, esses dispositivos receberam maior atenção das fabricantes. A preocupação é tanta que o Governo incluiu a fabricação de tablets na Lei do Bem (lei que concede incentivos fiscais).

Diante de tantos modelos, obviamente a competição se acirra. Alguns especialistas dizem que o Android será o “vencedor”. Eu prefiro que ninguém ganhe e que se mantenha a concorrência, porque isso é sinal de mais inovações e melhorias para o consumidor. Steve Jobs reapareceu na semana passada para falar de novidades no mundo Apple. Nada muito inovador: coisas já existentes por aí que passam a ser integradas aos sistemas da Maçã.

A pergunta que automaticamente surge é: como se diferenciar? Será que o mundo dos tablets será igual ao dos computadores? Estaremos diante de mais uma commodity? Quantas marcas conseguirão permanecer no mercado?


Avaya e Cisco resolveram apostar em um novo caminho: os tablets corporativos. Eles não são voltados ao consumidor, mas atendem a necessidades corporativas, unificando várias formas de comunicação, como e-mail, telefone, videoconferência, em um único aparelho.

O que difere os tablets desenvolvidos para o consumidor daqueles feitos para as empresas? Os primeiros permitem uma experiência de entretenimento. Os outros contam com recursos para o ambiente de trabalho.

É o que se propõe o Flare, tablet da Avaya que está em fase de homologação pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e em teste em um banco brasileiro. Ele permite videoconferências com até 20 pessoas, compartilha apresentações em PowerPoint e unifica todos os tipos de comunicação.
                                                        Fonte: Isto é Dinheiro

E onde vamos parar? A HSM, em seu especial Inovação (http://www.hsm.com.br/inovacao), nos apresenta um texto chamado “O paradoxo da inovação”, que é muito aderente a esta discussão.

Segundo o autor, o paradoxo é que “quanto mais inovamos mais difícil se tornam as próximas inovações e a manutenção de uma estratégia competitiva baseada na inovação”. E continua: “a implantação de cada inovação tende a custar mais que a anterior porque para inovar são necessários novos aportes financeiros para pesquisa, desenvolvimento, planejamento, produção, marketing e comercialização”.

Quando um produto vira commodity, podemos encontrar no mercado infinitas variações para um mesmo produto. Diante de, por exemplo, dezenas de opções de extrato de tomate (a maioria com embalagem vermelha), um consumidor sente uma ansiedade de decisão (decidir custa tempo) e, por mais que goste de experimentar, ele tende a buscar diminuir o estresse elegendo uma marca e, uma vez obtendo satisfação, acaba fidelizando sua escolha. No caso de produtos mais caros, como os tablets, a experimentação em escala se torna um pouco inviável, ficando a busca por informação ou ter uma pequena experiência atributos mais decisivos na escolha. O que não elimina o stress, muito pelo contrário.

”Assim, quanto maior o volume de inovações em um curto espaço de tempo, mais difícil ficará a partir de um determinado momento que os consumidores queiram tão intensamente o novo em função do estresse de decisão de compra e de uma racionalidade de compra crescente. Cada inovação a partir daí tem que ser muito significativa e para conseguir-las teremos que investir corretamente em P&D”.

Penso que o setor financeiro ainda esteja longe do paradoxo da inovação, propriamente dito. Mas temos um exemplo próximo com os fundos de investimento. Ou será que alguém consegue dizer qual fundo e de qual banco é melhor investir seu dinheiro? Se sobrar é claro.

Até a próxima.

Me faz um bolo que eu corto sua grama

Falei recentemente por aqui de crowdsourcing, crowdfunding, compras coletivas.

Hoje quero trazer uma ideia, ou melhor, um conceito que vem ganhando espaço, que engloba um pouco de tudo isso: CONSUMO COLABORATIVO. Visto da forma como o conceito se apresenta, podemos estar assistindo a uma importante inovação nos modelos de negócio, com impacto principalmente para o varejo.

A revista TIME, de 17 de março de 2011, aponta esse movimento como uma das 10 ideias que irão mudar o mundo (10 ideas that will change de world). Expoente e, possivelmente, cunhadora desse termo, Rachel Botsman, e seu co-autor, Roo Rogers, escreveram o livro “What’s Mine Is Yours: The Rise of Collaborative Consumption”, que deverá ganhar uma versão em português, talvez já no mês de abril. A tradução deverá ter como título “O que é meu é seu”.

No TED Talks, em dezembro de 2010, Rachel explica a origem e o conceito do termo, o qual tomo a liberdade de reproduzir com algumas adaptações (http://www.ted.com/talks/rachel_botsman_the_case_for_collaborative_consumption.html).

Em se tratando de contexto, quatro fatores contribuíram para a ascensão do consumo colaborativo:
1 – Uma  renovada crença na importância das comunidades;
2 – Uma torrente de redes sociais e de tecnologias em tempo real;
3 – Preocupações ambientais não resolvidas;
4 – Uma recessão global que chocou radicalmente hábitos de consumo.

Diante desse cenário, as pessoas começam a resgatar a viabilidade da boa e velha prática do escambo, do empréstimo com o vizinho. Só que agora sob um ponto de vista global, viabilizado pela tecnologia.

A lógica é a seguinte:
1 – para que ter uma furadeira, se eu a usarei por 20 minutos e o resto do tempo ela fica na caixa, ocupando espaço no armário, solitária, à espera de alguém que precise dela? E se alguém puder me emprestar quando eu precisar? Ou eu emprestar quando alguém precisar?
2 – por quê eu preciso comprar um DVD que quero assistir, se na maior parte das vezes o assistirei no máximo duas vezes? Será que alguém gostaria de trocar comigo? DVD infantil não vale!
3 – gosto de limpar o jardim, mas não gosto de cozinhar. Tenho tempo livre mas não tenho dinheiro sobrando. Vou dar uma festa, será que alguém pode fazer um bolo pra mim?

Após avaliar inúmeras situações como essas e as práticas que vem ocorrendo na web, Rachel e Rogers entenderam que o consumo colaborativo pode ser agrupado em três sistemas:

1 – Mercados de redistribuição: o produto usado é tirado de um lugar onde não é mais utilizado e levado para algum lugar onde ele é desejado. Isso prolonga o ciclo de vida do produto e colabora para a redução do lixo.

2 – Estilos de vida cooperativos: as pessoas compartilham dinheiro, habilidades e tempo.

3 – Sistema de serviços de produto: paga-se pelo benefício que o produto traz ao indivíduo. Geralmente com produtos com alta capacidade ociosa. É o caso das novas modalidades de aluguel de carros que ficam disponíveis em pontos da cidade.

Quer confirmar se isso é ou não uma realidade:
1 – Time Banks (www.timebanks.org): para cada hora que você gasta fazendo algo para alguém na sua comunidade, você ganha um “Time Dollar”. Então você tem um Time Dollar para gastar com alguém fazendo alguma coisa para você.
2 – Swap (www.swap.com): Swap.com é um mercado online que permite que você liste o que você tem e troque por algo que você queira (livros, jogos, música e filmes). Já são 1,9 milhões de pessoas cadastradas.
3 – Airbnb (www.airbnb.com): um local onde você pode alugar seu apartamento nos dias que você não está usando.

Enfim, esse é o modelo do consumo colaborativo (século 21) que, em contraposição ao modelo de hiper-consumo (século 20), migra de:
1 – Crédito para Reputação
2 – Propaganda para Comunidade
3 – Propriedade Individual para Acesso Compartilhado

Aguardemos. Grande abraço.

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