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Me faz um bolo que eu corto sua grama

Falei recentemente por aqui de crowdsourcing, crowdfunding, compras coletivas.

Hoje quero trazer uma ideia, ou melhor, um conceito que vem ganhando espaço, que engloba um pouco de tudo isso: CONSUMO COLABORATIVO. Visto da forma como o conceito se apresenta, podemos estar assistindo a uma importante inovação nos modelos de negócio, com impacto principalmente para o varejo.

A revista TIME, de 17 de março de 2011, aponta esse movimento como uma das 10 ideias que irão mudar o mundo (10 ideas that will change de world). Expoente e, possivelmente, cunhadora desse termo, Rachel Botsman, e seu co-autor, Roo Rogers, escreveram o livro “What’s Mine Is Yours: The Rise of Collaborative Consumption”, que deverá ganhar uma versão em português, talvez já no mês de abril. A tradução deverá ter como título “O que é meu é seu”.

No TED Talks, em dezembro de 2010, Rachel explica a origem e o conceito do termo, o qual tomo a liberdade de reproduzir com algumas adaptações (http://www.ted.com/talks/rachel_botsman_the_case_for_collaborative_consumption.html).

Em se tratando de contexto, quatro fatores contribuíram para a ascensão do consumo colaborativo:
1 – Uma  renovada crença na importância das comunidades;
2 – Uma torrente de redes sociais e de tecnologias em tempo real;
3 – Preocupações ambientais não resolvidas;
4 – Uma recessão global que chocou radicalmente hábitos de consumo.

Diante desse cenário, as pessoas começam a resgatar a viabilidade da boa e velha prática do escambo, do empréstimo com o vizinho. Só que agora sob um ponto de vista global, viabilizado pela tecnologia.

A lógica é a seguinte:
1 – para que ter uma furadeira, se eu a usarei por 20 minutos e o resto do tempo ela fica na caixa, ocupando espaço no armário, solitária, à espera de alguém que precise dela? E se alguém puder me emprestar quando eu precisar? Ou eu emprestar quando alguém precisar?
2 – por quê eu preciso comprar um DVD que quero assistir, se na maior parte das vezes o assistirei no máximo duas vezes? Será que alguém gostaria de trocar comigo? DVD infantil não vale!
3 – gosto de limpar o jardim, mas não gosto de cozinhar. Tenho tempo livre mas não tenho dinheiro sobrando. Vou dar uma festa, será que alguém pode fazer um bolo pra mim?

Após avaliar inúmeras situações como essas e as práticas que vem ocorrendo na web, Rachel e Rogers entenderam que o consumo colaborativo pode ser agrupado em três sistemas:

1 – Mercados de redistribuição: o produto usado é tirado de um lugar onde não é mais utilizado e levado para algum lugar onde ele é desejado. Isso prolonga o ciclo de vida do produto e colabora para a redução do lixo.

2 – Estilos de vida cooperativos: as pessoas compartilham dinheiro, habilidades e tempo.

3 – Sistema de serviços de produto: paga-se pelo benefício que o produto traz ao indivíduo. Geralmente com produtos com alta capacidade ociosa. É o caso das novas modalidades de aluguel de carros que ficam disponíveis em pontos da cidade.

Quer confirmar se isso é ou não uma realidade:
1 – Time Banks (www.timebanks.org): para cada hora que você gasta fazendo algo para alguém na sua comunidade, você ganha um “Time Dollar”. Então você tem um Time Dollar para gastar com alguém fazendo alguma coisa para você.
2 – Swap (www.swap.com): Swap.com é um mercado online que permite que você liste o que você tem e troque por algo que você queira (livros, jogos, música e filmes). Já são 1,9 milhões de pessoas cadastradas.
3 – Airbnb (www.airbnb.com): um local onde você pode alugar seu apartamento nos dias que você não está usando.

Enfim, esse é o modelo do consumo colaborativo (século 21) que, em contraposição ao modelo de hiper-consumo (século 20), migra de:
1 – Crédito para Reputação
2 – Propaganda para Comunidade
3 – Propriedade Individual para Acesso Compartilhado

Aguardemos. Grande abraço.

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Categorias:Ideias, Negócios
  1. 23/05/2011 às 23:38

    Oi Luiz, cheguei aqui através do blog da Lucemary. Adorei o seu post e vou passar por aqui para acompanhar o blog. Fiquei curiosa e gostaria de saber de que formas você lança mãe do consumo colaborativo na sua vida. Eu adoro a ideia mas às vezes é difícil achar pessoas abertas para experimentar, ainda mais hoje em dia com essa lógica de cidade grande em que cada um se cuida como pode e muitas vezes nao conhecemos nem nossos vizinhos.

  2. cvirameu
    01/06/2011 às 23:49

    Oie, Luiz!
    Verdade verdadeira!
    Eu quero logo que essa onda chegue tipo tsunami no Brasil!
    E de preferência não somente na vida pessoal, mas acho que tem bastante oportunidade na empresarial!
    Qto dinheiro e tempo nós não economizaríamos se algumas parcerias não fossem organizadas no ganha-ganha! Um escambo do séc XXI.
    Adoro a ideia!
    []s
    Paty

  3. 04/02/2012 às 20:16

    Em breve, vamos lançar o site mais vantajoso de consumo colaborativo do Brasil (www.diliwi.com). Por enquanto, você pode visitar o nosso blog para trocarmos umas ideias sobre o assunto (www.diliwi.blogspot.com).

    Abraço,

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